sábado, 3 de dezembro de 2011

Você, você, você, você... você é otário?

Eu tava evitando pegar no pé do pagode baiano mas com essa não dá pra ficar calado. Um dia desses eu estava assistindo um programa regional na televisão aberta e me deparei com a visão do inferno: Um cantor de pagode cantando e dançando com uma calça tão colada que tava desenhando o ovo, e ainda  perguntando se agente quer. A música é essa aí:


Finalmente vamos descobrir que diabo esse cara cochicha no início da música: 

"Gatinha,                           (Começou com uma gíria carinhosa. Até aí tudo bem.)
Essa é sua hora                  (Frase muito utilizada, quase um clichê. Não faria falta na letra.)
Deixa de besteira               (Se tirar essa frase da música o significado da letra não muda em nada)
Vem ficar comigo               (Primeira frase objetiva da música)
A noite é toda nossa            (Entendi: Tempo livre com a "gatinha" a noite!)
Sei que ta querendo           (Ela também quer. Entendido. Mas até agora nada de importante.)
Sei que quer fazer              (Já não foi dito no último verso que ela tá querendo?)
A noite é uma criança       (Já não foi dito "a noite é toda nossa"?)
Agora é só...."                   (Agora é só parar de encher linguiça e por letra nessa música)

"Você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você
Você quer?
Você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você
Você quer?
Você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você
Você quer?
Você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você, você
Você quer?"

(Fiz questão de repetir o "Você" pra você entender o quanto essa repetição é chata. Eu aposto com qualquer um que ninguém leu todos os "você", mas porque diabos você escuta e canta todos?)

Esse não é refrão de uma música da Mulher Melão? Que inspiração, hein?


Já que é pra copiar, pelo menos copia alguma coisa que preste. Se já não bastasse a falta de criatividade da galera daqui, ainda estão importando a porcaria dos outros.
Até agora a música só passou pra gente que:
 Tem um cara chamando uma mulher pra ficar com ele a noite, sabendo que ela tá querendo e, mesmo sabendo, ele pergunta se ela quer.
Resumi a música toda, sem nenhuma perda de conteúdo, em apenas uma linha e meia. Depois da letra da música ser toda repetida, tem uma parte final que é "diferente" (Mas na verdade quer dizer as mesmas coisas que ele já tinha dito antes):

"Agora é só nós dois        (Tem o mesmo significado de "A noite é toda nossa".)
deixa acontecer              
cola seu corpo no meu 
isso é sensual                   
fora do normal                 (Fora do Normal é a enrolação que tem na letra dessa música)                                                      
relaxa eu quero você       (Oohh! Ninguém que escutou o inicio da musica tinha percebido isso.)
sei que quer fazer            (Já tinha afirmado, já tinha perguntado, agora tá afirmando de novo.)
venha se envolver           ("Venha se envolver" foi só pra rimar.)
agora é só eu e você       (Ele já não tinha dito "agora é só nós dois"?)
você quer?"
Que miséria é essa aí?

Agora vamos dizer os pontos positivos da música:

- Tem um ritmo muito bom.

Sei que ainda são poucos pontos positivos mas eu não encontrei outros.
Mesmo para uma música festiva, essa letra é muito pobre. Até no próprio cantor agente percebe que a graça da música é o refrão repetitivo e copiado da Mulher Melão, porque no restante da música só enchem linguiça. Eles poderiam fechar a banda e abrir um frigorífico.
Caso minha postagem não tenha sido tão boa quanto outras que analisaram músicas de pagode, eu queria que vocês compreendessem que não dá pra fazer uma boa análise da letra de uma música quando a música não tem letra.
Enquanto continuarem fazendo pouco da musicalidade baiana, eu vou continuar destacando os absurdos sobre a vergonha que estão fazendo agente passar no cenário nacional da música.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Eu pago R$ 2,50 pra que?




Isaac Newton afirmou que "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo". Ele disse isso porque nunca pegou o 'Estação Pirajá x Barra 2'. A fila dessa linha fica tão grande que depois que os passageiros entram no ônibus ela nem parece ter mudado de tamanho. Não entram apenas os 40 passageiros sentados e 35 em pé (capacidade da maioria dos ônibus urbanos), são mais de 100 que se sufocam, fazendo com que, muitas vezes, os ônibus transitem com as portas abertas. E a galera não tem essa de "Aah... O ônibus tá cheio, vou esperar o próximo", o povo se joga mesmo. Quem já entrou num ônibus desse sabe que ali agente tem que brigar até com o Ar por espaço.
Tem passageiros que ficam muito irritados porque, mesmo superlotado, o ônibus continua parando no ponto. Por isso que antes de gritarmos com o motorista questionando a conduta da mãe dele, devemos nos lembrar que ele só está seguindo a orientação passada pela prefeitura, que tem funcionários que ganham bem, tem carro e, por estes motivos, não precisam pegar o busão.

"Num ônibus super lotado, uma mulher volta-se para o passageiro inconveniente:
- O senhor quer fazer o favor de desencostar e afastar essa coisa volumosa que está me incomodando?
- Calma, minha senhora. Não é o que está pensando. Este volume é o dinheiro do pagamento que recebi hoje. Enrolei num pacote e botei no bolso esquerdo da calça.
- Ah! Então o senhor deve ser um funcionário exemplar.
- Por que?
- É que desde o embarque até aqui, o senhor já teve três aumentos salariais!"

Você já pegou o 'Mirantes de Periperi x Ondina'? É tanta gente naquele ônibus que você não pode nem tirar o pé do chão. Se você tirar o pé dois segundos, outro aparece no lugar. Agente fica no ônibus apertado com o pé suspenso, dando uma de Saci Pererê.
Soltaram um pum no ônibus cheio!
Pior mesmo é quando você está num 'Est. Mussurunga x Ribeira' hiper lotado e começa a chover. Os passageiros fecham as janelas e, vestidos com roupas quentes porque tem chovido a semana toda, passam a sentir um calor insuportável. A galera começa a suar e o ônibus fica parecendo um cuscuzeiro. É nessa hora que se descobre que não é só você que compra aquele desodorante de R$ 1,50. Aquele "Avanço", por exemplo, só serve pra deixar a catinga avançar. Pra piorar, num calor infernal, com pessoas sentindo falta de ar, agente sempre sente aquele cheirinho familiar de um FDP que largou um peido ali mesmo,  dentro daquele lugar fechado e cheio de gente. Dentro do Busú a suvaqueira começa a subir e aquela inhaca permanece durante a Avenida Paralela toda até chegar na San Martin, que é quando o ar entra pelas portas que foram abertas para os passageiros descerem.

"O gaúcho está num ônibus lotado quando, de repente, vem um sujeito e se encosta atrás dele.
- O que é isso, tchê? - diz ele, virando-se. - O que tu tá fazendo aí atrás?
E o sujeito, todo desconcertado:
- Eu? Todo fazendo nada não, senhor.
- Então cai fora e dá lugar pra outro!"

O Baleiro levanta a guia pra tentar passar no meio do povo dentro do ônibus cheio enquanto usa aquela voz irritante pra poder dizer mais ou menos a mesma coisa que todo baleiro diz: "Desculpe atrapalhar a sua viagem, mas eu tô aqui não pra dá, mas pra vender a nova sensação, o sabor do momento. Essa deliciosa bala sabor morango, maçã, menta, melancia, tutti-fruti (...)" (Eu coloquei pontuação para um melhor entendimento, mas ouvindo eles falarem, não dá pra identificar nenhuma) e por aí vai. Pobre sofre!
No 'F. Grande x Barra' agente só escuta as mulheres gritarem "Meu pé, moço!". Num 'Sussuarana x Barra' lotado, todo mundo que senta na cadeira reservado pro idoso pega no sono. Alguns motoristas dessas linhas passam voando por alguns pontos de ônibus porque não tem mais espaço pra alguém entrar. Isso dá oportunidades para pessoas não-autorizadas aumentarem a frota de veículos do transporte clandestino, que só é utilizado porque a população está insatisfeita com o transporte coletivo autorizado.
Não estou mais afim de pagar impostos mais R$ 2,50 pra viajar em pé, sufocado, num trânsito engarrafado, tendo o pé pisoteado e tentando me esquivar dos roçadores. Numa situação como essa eu fico sempre de frente para o passageiro em movimento. Isso o desencoraja a tentar medidas persuasivas. Já passou da hora de melhorar esse transporte público soteropolitano.

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