sábado, 12 de maio de 2012

Não precisa de garagem...


    Nos últimos anos percebe-se claramente um aumento no numero de brasileiros pertencentes a classe média e o aumento de seu poder aquisitivo (menos o meu). Apesar disso, a pobreza ainda assola o país. Mesmo assim, cidadãos menos favorecidos, com as grandes facilidades de hoje em dia, conseguem comprar um automóvel que, muitas vezes, estão bastante usados.
    O sujeito deixa de comprar roupa, deixa de comprar comida, deixa de ajeitar a casa, deixa de dar o dinheiro da merenda dos filhos, mas não deixa de pagar as parcelas e colocar gasolina no seu já velho e abatido possante. Eu chamo de possante porque, por onde ele passa, ele deixa uma possa de óleo.
    Outros desprovidos financeiros se arriscam a, com o pouco dinheiro que tem, comprar aquele famoso carro zero: Zero de potência, zero de velocidade, zero de tecnologias e zero de conforto. Pior mesmo é quando o cidadão compra o carro imaginando um trio elétrico. Muitos se preocupam em equipar a carroça com alto-falantes potentes antes mesmo de pensar em emplacar. Muitas vezes eles mal sabem o que é CRV, mas entendem como ninguém de RMS.
       Carros assim costumam dar muita dor de cabeça. É por isso que, um falecido tio de um amigo meu, que trabalhava numa concessionária, costumava dizer: “Carro ruim sai com um cavalo a mais de brinde da concessionária: O Dono!”.


Alguém conseguiu localizar a calçada nessa foto?
Percebam que os pedestres andam no asfalto.
      É muito bom saber que pobre também pode ter carro, mas tem um probleminha: A maioria deles, quando pegam no dinheiro, preferem um bom carro a uma boa casa e, por isso, boa parte delas não tem garagem. Sem opções, ele deixa o carro na rua mesmo, sobre a calçada, tomando o espaço do pedestre que já não é muito grande nos bairros humildes, onde o problema é mais intenso. Um exemplo disso está na foto ao lado que mostra a Rua do oriente, Alto do Peru, na Fazenda Grande do Retiro, em Salvador. Observem a foto. Os leitores do Alto do Peru que me desculpem, mas isso é um estacionamento disfarçado de bairro! Essa situação se estende pela rua quase toda. 
   Dificilmente o pedestre consegue andar pela calçada, arriscando-se no asfalto, podendo ser atingido por um carro, um ônibus ou jogado pra longe se atropelado por um daqueles motociclistas que passam voando, fazendo barulho e empinando a moto, muito comum em bairros humildes (Falando em motociclistas loucos, eu fico me perguntando o que se passa na cabeça desses caras. Acho que eu ainda não tenha achado resposta porque, talvez, não passe nada pela cabeça deles. Acho que eles pensem “A galera pira quando empino a moto”. Na verdade, o que eu vejo o pessoal comentar são coisas como “Tomara que essa moto vire pra ele se f[...] todo!”). 

Zona de Estacionamento
Entrada do Alto do Peru,
um dos gargalos da Fazenda Grande
   Além disso, esses carros estacionados estreitam o espaço na pista, que já é curto. Ao invés de dois, passa apenas um carro de cada vez, fazendo os automóveis que estão transitando no sentido contrário esperarem, criando engarrafamentos.
  Estacionar na calçada é uma falta considerada grave. É punida com 5 pontos na carteira e uma multa de R$ 127,69. Pode ser que tenha acontecido com alguém, mas eu não vi ninguém ser multado por isso. 

O que pode ser feito para melhorar?



     - Exigir do motorista, na compra do carro, um comprovante de que ele tem um local adequado para estacionar o carro;
      - Incentivos do estado para a criação de estacionamentos;
   - Aumentar os impostos sobre os automóveis para isso acarretar no reajuste do preço, impedindo que o pobre possa comprar carro (Dessa solução, o comentarista Luiz Carlos Prestes iria amar. Quem não lembra dele, assiste o vídeo e escuta com muita atenção o que ele fala);

Av. Sete de Setembro, Centro de Salvador.
É tanto carro que nem dá pra ver as calçadas.



      Algumas dessas soluções pareceram viáveis? Claro que não! Seria incoerente multar as pessoas que estacionam na calçada por falta de opção já que Salvador não foi uma cidade planejada. A maioria dos bairros foi crescendo desordenadamente ou formada pelas conhecidas “invasões”. Ainda tomando como exemplo o Alto do Peru, tem pontos do bairro em que a calçada praticamente não existe, pois construíram casas em cima. Não podemos punir os soteropolitanos pela falta de estrutura e planejamento de Salvador. Então, o que deve ser feito para solucionar o problema?

6 comentários:

  1. 1º acho que melhorando (melhorando de verdade) o transporte público, menos pessoas irão comprar novos carros e pq não exigir comprovante de local guardar o carro? se o cara não tem onde estacionar ele vai acabar se ferrando se tiver e se não tiver seguro, então é para o próprio bem do cidadão.
    Mas ainda não sei bem o que poderia resolver realmente a situação...

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  2. quando digo para guardar o carro é para guardar em casa. pq quando vc sai realmente é difícil conseguir vaga.

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  3. Eu acho que não devemos exigir "comprovante de garagem" pq estaríamos excluindo as pessoas de renda menor. Muitos não tem nem casa, que dirá uma casa com garagem. Mas não tenhamos dúvida que isso organizaria essa balburdia!

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  4. eu entendo que é uma medida redical e isso pesa, mas uma pessoa que não tem onde guardar o carro vai ter um pra que?
    meus pais nunca tiveram carro e sobrevivo até hoje sem ele. agora que estamos melhorando o poder de consumo hauhaua aumentamos casa, cuidamos do conforto e fizemos a garagem para comprar o carro que esta sendo planejado já a um tempo. Carro é fundamental, mas é td questão de educação financeira, temos que aprender a ter prioridades. Pois nem com seguro uma pessoa dessa se salva, por que sai muitoooo caro já que o risco é maior. então se a pessoa nao pode nem ter uma garagem como vai pagar o seguro? se mentir para seguradora dizendo q tem onde guardar, mas se acontecer algo com o carro e ficar provado (facilmente é provado) que estava na rua a pessoa não tem direito a receber o valor segurado. Imagine o prejuízo?! Pagou carro e seguro e perdeu o dinheiro dos dois.
    Agora digo por mim. se aqui tivesse um transporte público que preste a um preço justo da passagem, um carro jamais seria hoje uma prioridade aqui em casa.

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    Respostas
    1. Então, de acordo com o seu ultimo comentário, chegamos a conclusão de que o problema está na falta de educação ou orientação do povo. Concordo. No final, os problemas da sociedade sempre são causadas, direta ou indiretamente, pela falta de educação da população.

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  5. Mais uma prova de como o consumismo tomou conta do mundo...

    As pessoas acham que o carro trará sempre praticidade, mas também por culpa desse pensamento é que há o crescimento exacerbado do número de veículos nas ruas, o que causa o efeito justamente contrário.

    Também não culpo totalmente essa ambição desnecessária, pois ela em parte se fundamenta na péssima estrutura do setor de transporte das grandes cidades brasileiras, em especial nossa capital, que metrô tem...

    Coisas de Brasil...

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